O BREGA NA ACADEMIA

     Multidão no "Capital do Brega" 2019
Fonte: LeiaJá

     Como já foi discutido na primeira postagem do blogue há uma ausência de políticas públicas em torno do gênero brega, e isso acaba ocasionando a falta de pesquisas sobre o tema, especialmente nas realizadas na academia. Diante dessa constatação, procuramos levantar alguns trabalhos científicos que tivessem como tema central o brega recifense, tentando trazer o panorama de suas abordagens acadêmicas.
     Abaixo segue a relação com os trabalhos recuperados divididos entre artigos, dissertações e teses na perspectiva do cenário musical no Recife.

  • ARTIGOS:

Autores: Rodrigo Phelipe Rodrigues Lopes; Thiago Soares
Resumo: A música brega produzida em Pernambuco já detém uma história que remonta tanto à tradição dos cantores românticos como Reginaldo Rossi até fenômenos como o brega funk de artistas como MC Loma e as Gêmeas Lacração. A partir do levantamento de trabalhos acadêmicos produzidos sobre música brega no estado entre os anos de 2005 e 2017, determina-se três grandes eixos de discussão: 1. sobre as especificidades das produções culturais da periferia e sua posterior circulação em outros circuitos urbanos; 2. a discussão sobre gênero musical, formas de endereçamento e classificação que acionam perspectivas estritamente musicais e sociais; 3. as dinâmicas performáticas de masculinidades e feminilidades que envolvem formas consagradas midiaticamente como modelos de encenação.

Autores: Rodrigo Phelipe Rodrigues Lopes; Thiago Soares
Resumo: A partir da observação participante no grupo de Whatsapp “Bonde do Play”, dedicado a fãs e apreciadores de música brega de Pernambuco, observa-se dinâmicas de consumo deste gênero musical que se conectam com uma história da informalidade e pirataria. Verifica-se que a prática “dark social”, de compartilhar conteúdos “copiando e colando” através de recomendações pessoais, permeia esta comunidade funcionando como importante aparato de divulgação tanto do canal do YouTube “Bonde do Play” quanto de artistas novos e consagrados da cena de música brega. As práticas digitais de consumo de música brega coexistem com o consumo televisivo consagrado na década de 2000 através da televisão.

Autor: Thiago Soares
Resumo: Uma noite num show de brega no Recife traduz questões: artistas encenam pólos de feminilidade e masculinidade em suas canções e se utilizam de formas consagradas midiaticamente de encenação. A materialização destes embates se dá em espaços sexualizados, que configuram uma geografia do desejo nas casas noturnas onde emergem as performances de piriguetes e cafuçus.

Autores: Elves Henrique dos Santos; Rodrigo Phelipe Rodrigues Lopes; Thiago Soares
Resumo: A partir do sucesso viral das canções “Só Dá Tu”, da Banda A Favorita e “Envolvimento”, da MC Loma e As Gêmeas Lacração, expoentes da música brega de Pernambuco, o artigo debate aspectos sonoros, visuais e culturais das práticas deste gênero musical. Se “Só Dá Tu” consagra a poética do cancioneiro do Brega Romântico, “Envolvimento” evidencia a expressividade do Brega-funk tanto em sua dimensão rítmica quanto visual. A forma com que as duas canções circulam em rede, através de mediadores que passam por estudantes de escolas públicas a famosos Youtuber e artistas da música pop são significativas dos modos com que sujeitos subalternos estão inseridos nas dinâmicas de consumo da cultura digital.

Autor: Thiago Soares
Resumo: Do quarto das empregadas domésticas, às salas das patroas, passando para as festas e bailes bregueiros: problematizar a música brega em Recife significa debater seu incômodo, sobretudo na caracterização de “música de Pernambuco”. Discute-se o conceito e a formação do cânone da “música pernambucana” a partir de políticas culturais e identitárias que excluem o brega – cancioneiro caracterizado como “música de pobre” e “excessivamente sexualizada”. Constata-se que a negação do brega como “música de Pernambuco” para as políticas públicas e culturais evoca princípios em torno de modelos de negritude e de ideias sobre o popular. A leitura crítica proposta evoca autores do campo da estética articulados a princípios dos Estudos Culturais.

Autor: Pedro Alves Ferreira Júnior
Resumo: Este artigo surge do interesse em debater os trânsitos e elementos expressivos que perpassam a música brega recifense em direção à cultura pop, como forma de debater o isomorfismo expressivo culminado por um cosmopolitismo estético, como proposto por Motti Regev. A partir da escolha da cantora pernambucana Michelle Melo, busca-se refletir sobre os elementos que a aproximam de uma estética adotada pela artista Madonna, seja por meio de elementos como gesticulação, figurino e imagem sexualizada, todos elementos constituintes de suas agências performáticas. Dessa forma, pretende-se, também, discutir como a cultura pop aciona e reflete experiências e utopias no cotidiano.

Autora: Paula  Roberta Velôzo de Moraes
Resumo: Este artigo é parte integrante da pesquisa doutoral: “Los Usos del Audiovisual en el Consumo y Producción Cultural del Brega en las periferias de Recife”, pesquisa qualiquantitativa, realizada desde 2008 nos âmbito de consumo e produção do Brega para o Doutorado em Comunicação Audiovisual e Publicidade da Universidade Autônoma de Barcelona, se propõe definir como o movimento Brega das periferias do Recife está representado nos meios audiovisuais massivos especificamente televisão e cinema, e de que maneira estes meios influenciam em suas rotinas produtivas, a partir de análises das negociações inseridas nas relações de poder que formam parte deste processo, estratégias e alternativas utilizadas para transpor os obstáculos impostos pelo mainstream.

Autor: Emannuel Bento
Resumo: Este artigo aborda o processo de nacionalização do gênero musical brega-funk, oriundo das periferias do Recife, a partir da consagração da artista MC Loma e as Gêmeas Lacração no ano de 2018. Diante de um quadro midiático que apresenta youtubers como mediadores da construção de valores e o próprio YouTube como plataforma de circulação de música e audiovisual, percebe-se a formação de redes sócio-técnicas que conecta gêneros musicais oriundos das periferias das grandes cidades brasileiras intensificando a noção de Música Pop Periférica. Observa-se como a produtora musical Start Music é uma importante mediadora na conexão do brega-funk pernambucano com o funk ostentação paulista gerando uma territorialidade pop que questiona princípios geográficos e abre precedentes para se debater estéticas musicais globais.

Autor: Thiago Soares
Resumo: Num percurso que inicia-se numa viagem a Belém, capital do Pará e termina na Avenida Conde da Boa Vista, principal artéria urbana do Recife, Pernambuco, pretende-se discutir a formação dos espaços da música brega recifense a partir de uma série de aproximações e afastamentos: da cena do tecnobrega de Belém, passando pelas casas de shows da periferia e da Zona Sul do Recife e chegando ao contexto da principal avenida da capital pernambucana. Busca-se a partir do conceito de território sônico-musical (FERNANDES e HERSCHMANN, 2014) pensar políticas do som e da ocupação do espaço urbano que embaralham, sobretudo, noções de classes sociais, mas também gênero e raça.

Autor: Luan Glauco Freire Costa
Resumo: O presente trabalho aborda as dinâmicas da música brega na cidade do Recife. Seja na calçada ou nos espaços privados reservados, o brega permeia a cidade ao mesmo tempo que modifica e exprime a mentalidade social e individual das pessoas que participam de seus ambientes. Elucidando uma pequena história do conceito e da música, o artigo segue discorrendo acerca dos espaços naturalmente ocupados pela comunidade e das mudanças culturais e simbólicas realizadas nestes ambientes, problematizando, por fim, a relação entre as diferentes esferas sociais e seus parâmetros morais no espaço urbano.


Autor: Fernando Israel Fontanella
Resumo: A dissertação busca delinear a estética do Brega na região  metropolitana do Recife, derivada de um mercado cultural paralelo surgido nas  periferias e que agora ganha exposição nos meios de comunicação massivos, no  contexto de uma descoberta das camadas de menor poder aquisitivo da  população como novos e importantes segmentos de consumidores. Nesse  esforço, o Brega (ou Brega Pop) é identificado como uma estratégia de  negociação através da qual grupos suburbanos tentam uma inserção, mesmo  que limitada, na cultura de consumo, na qual normalmente são apagados.  Trabalhando com os princípios apontados por Mikhail Bakhtin e  por Friedrich Nietzsche de oposição entre uma cultura popular e carnavalesca (ou  dionisíaca), que abre o corpo para o mundo, e um cânone cultural e corporal que  o torna fechado, o trabalho identificará uma continuidade relativa dessas relações  nos novos cânones corporais da cultura de consumo e na sensibilidade das  populações urbanas periféricas. Essa oposição, que é usada dentro do sistema de  valores do capitalismo tardio para promover diferenças geradoras de consumo,  também gera pressões que precisam ser mediada dentro do campo da cultura.  Assim, uma sensibilidade híbrida como o Brega, que une as formas propagadas  pelas indústrias culturais e a relação carnavalesca com o corpo, deve ser vista  como um ponto de convergência essencial para o entendimento do processo de  assimilação da população suburbana do Recife no mundo do consumo.


  • TESE
Autora: Paula  Roberta Velôzo de Moraes
Resumo: La presente tesis es resultado de la investigación cuali-cuantitativa, realizada entre los años de 2008 y 2012 en el ámbito de consumo y producción cultural del Brega (movimiento musical popular de las periferias de la ciudad de Recife situada en el Nordeste de Brasil) para el Doctorado en Comunicación Audiovisual y Publicidad de la Universidad Autónoma de Barcelona. El propósito fue de definir como dicho movimiento está representado en los medios de comunicaciones de masas y de qué manera las nuevas tecnologías de la información influencian en sus rutinas productivas. A partir del análisis de las negociaciones inseridas en las relaciones de poder que forman parte de este proceso, percibimos las estrategias y alternativas utilizadas por el Brega para transponer los obstáculos impuestos por los medios de comunicación.



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