BREVE INTRODUÇÃO SOBRE A HISTÓRIA DO BREGA



        O termo brega passou a ser empregado no início da década de 80 para designar uma nova vertente dentro de um grupo de cantores anteriormente conhecidos como cafonas, que haviam ocupado um espaço deixado vago pela Jovem Guarda no final dos anos 60, apresentando temas românticos de grande apelo popular. Em Pernambuco, muitos cafonas como Reginaldo Rossi e Adilson Ramos não só continuavam populares, como faziam escola em uma nova geração de bandas que surgia, como a Banda Labaredas e Só Brega. Nos dois casos, à medida que se desenvolvia esse circuito musical alternativo nas periferias das duas regiões metropolitanas, o termo pejorativo “brega” foi sendo gradualmente assumido como um estilo musical por músicos e fãs, sendo incorporado ao nome das bandas e formando o “movimento bregueiro” (FONTANELLA, 2005, p. 20-21).
Moraes (2012) chama a atenção para a ascensão do gênero em Pernambuco a partir de 2005, devido a evolução dos meios de comunicação e a desenvolvimento da tecnologia que auxiliou as produtoras culturais no aprimoramento do audiovisual da estética brega, além da entrada frequente das bandas de brega nos programas de auditório, onde o ritmo passa a ganhar maior visibilidade e atenção do público.
Nesse contexto, surge novas definições para o termo brega que seria uma ampliação do conceito tradicional ligado a figura do Reginaldo Rossi, agora representado por a apropriação de espaços antes dominados pelo axé music e o arrocha, por um público mais jovem e com a ascensão de novas bandas e diferentes expressões do ritmo como o “brega pop” e o “brega funk”, por exemplo, (LOPES; SOARES, 2018).
O Brega pop é um espetáculo do corpo; esta afirmação extrema não é estranha para aqueles familiarizados com os programas de auditório das redes de televisão do nordeste do Brasil, com shows das bandas de brega ou com o comércio informal de CDs piratas nos camelôs. Todas as suas formas se encontram diretamente ligadas aos usos do corpo em um esforço comunicativo para afirmá-lo como valor último daquilo que ele tem de mais material (FONTANELLA, 2005, p. 57).
Um ponto importante a se mencionar sobre o brega é o reconhecimento do gênero perante a sociedade, e isso acarreta a ausência de políticas públicas para o seu desenvolvimento e preservação.  Para Soares (2017), a ausência de arquivos do cancioneiro brega reitera o lugar de não-reconhecimento de uma estética, de uma forma cultural, a ponte de se ter em pleno ano de 2017, um debate - a meu ver- completamente obsoleto, sobre "se o brega é cultura ou não" durante o anúncio de atrações do Carnaval do Recife (p. 36). Felizmente, neste mesmo ano, o brega foi reconhecido por lei (Lei nº16.044/2017, proposta pelo deputado Edilson Silva - PSOL) como expressão cultural de Pernambuco, passando a ter direito a espaço na programação dos eventos estaduais. Com isso, é esperado que o ritmo tenha lugar garantido nas festas populares, que tem sido dominada por outros gêneros e artistas de outros estados.
Diante do que foi exposto acima, este blog tem a intensão de levantar informações e o portfólio de algumas bandas de brega importantes para a história do gênero no estado de Pernambuco. Para isso será divulgada toda informação disponível na Internet sobre as bandas abordadas, desde vídeo clipes no YouTube, CDs disponíveis para download, biografia da banda e de seus integrantes ou outras informações relevantes que não se enquadram nessas categorias, mas que seja relevante para complementar o portifólio.

REFERÊNCIAS

FONTANELLA, F. I. A Estética do Brega: Cultura de Consumo e o Corpo nas Periferias do Recife. 2005. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Centro de Artes e Comunicação, UFPE, Recife, 2005.

LOPES, R. P. R.; SOARES, T. Brega, Tecnobrega, Brega Pop, Brega Funk: Tensões em torno das classificações sobre música brega em Pernambuco. In: CONGRESSO INTERNACIONAL EM COMUNICAÇÃO E CONSUMO, 6., 2018, São Paulo. Anais eletrônicos [...]. São Paulo: ESPM, 2018. Disponível em: http://anais-comunicon2018.espm.br/GTs/GTGRAD/GT12/GTGRADUACAO_LOPES_SOARES.pdf. Acesso em: 16 abr. 2019.

MORAIS, P. R. V. Los usos del audiovisual en el consumo y producción cultural del Brega en las periferias multiculturales de Recife. 2012. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) Universitat Autònoma de Barcelona, Barcelona, 2012.

SOARES, T. "Ninguém é perfeito e vida é assim": a música brega em Pernambuco. Recife: Outros críticos, 2017. 190 p.

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